A Elea está avançando na implementação de um projeto de data center no Rio de Janeiro, com um parceiro para o fornecimento de energia elétrica e licenciamento em discussão com a prefeitura.
O projeto, que foi anunciado durante o Web Summit Rio de 2025, está localizado próximo ao Parque Olímpico, área que já possui infraestrutura devido aos Jogos Olímpicos de 2016.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, destacou que a Elea não pediu incentivos fiscais, mas apoio institucional para a iniciativa na Barra da Tijuca.
O planejamento incluiu a necessidade de investimentos adicionais em transmissão elétrica para atender a demanda crescente de energia necessária para os data centers.
Desafios de infraestrutura para novos data centers
A Elea avança com seu projeto de data center no Rio de Janeiro, buscando um parceiro para garantir acesso à energia elétrica. O projeto, que está em fase de licenciamento junto à prefeitura, foi discutido durante o evento DCD Connect Live Brasil 2026. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, mencionou que o empreendimento será localizado próximo ao Parque Olímpico, região que já conta com uma infraestrutura de energia adequada, resultado das obras para os Jogos Olímpicos de 2016.
Essa estratégia da prefeitura visa aproveitar uma área de aproximadamente 1 milhão de metros quadrados, anteriormente destinada a empreendimentos imobiliários. A alocação de data centers nessa área faz parte do plano municipal de otimização da infraestrutura já existente, evitando uma expansão urbana desmedida com novos projetos residenciais ou comerciais.
Reforços necessários na transmissão elétrica
O executivo da GE Vernova, Rodrigo Queiroga, destacou que, apesar das potencialidades do Rio de Janeiro para o processamento de dados, serão necessários investimentos significativos na infraestrutura de transmissão elétrica. Queiroga reforçou que empreendimentos demandando grandes blocos de carga, como 100 MW ou 300 MW, precisarão de uma análise cuidadosa da capacidade de conexão à rede elétrica e da atual infraestrutura de geração.
Ele também mencionou que projetos de data centers próximos a áreas como Grajaú e Nova Iguaçu devem prever a instalação de subestações compactas e sistemas de compensação estática, essenciais para manter a estabilidade do fornecimento de energia. Além disso, a compatibilidade entre os cronogramas de expansão de rede de transmissão e os de implementação dos data centers será crucial para garantir a viabilidade dos projetos.
Licenciamento e previsibilidade para implantação
Para André Pedral, da Microsoft, a previsibilidade tanto em prazos quanto em custos é fundamental na implementação de data centers. Segundo Pedral, as etapas de licenciamento atualmente enfrentam atrasos devido à necessidade de interações com diversos órgãos competentes. Ele propôs que a realização de licenças em paralelo poderia agilizar o processo e assegurar o início das operações em tempos adequados.
A instabilidade tributária, incluindo questões sobre a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), também foi mencionada como um fator que impacta diretamente os investimentos em data centers. Ele ressaltou a importância de esclarecer à população sobre os benefícios que as instalações trarão, como a formação de cadeias de fornecedores e a atração de novas atividades econômicas.
Projeções de impacto econômico e formação profissional
Na análise do representante do BNDES, Marconi Viana, a expansão de data centers requer uma combinação robusta de infraestruturas de telecomunicações, serviços de energia, demanda por tecnologias digitais e um estoque de profissionais qualificados. Viana enfatizou que o sucesso desses empreendimentos não pode ser visualizado de forma isolada, mas sim como parte de um ecossistema que integra transmissão de dados e proximidade com mercados consumidores.
Além disso, Viana defendeu que a sinergia entre as esferas municipal, estadual e federal é necessária para garantir um ambiente regulatório favorável, capaz de atrair e sustentar investimentos de longo prazo. Iniciativas, como o programa IMPA Tech, que visa a formação em áreas como matemática e ciência de dados, foram mencionadas como essenciais para assegurar que a mão de obra local esteja preparada para o mercado de tecnologia que emergirá com a instalação de data centers.



